maio 18, 2010

Inauguração do Autódromo de Luanda - 1972 - vídeo

O programa Rotações entrevistou António Peixinho e Joaquim Silveira Machado. Ambos falam da inauguração do autódromo em 1972.


SOBRE A TEMPORADA ANGOLANA DE 1975

Por incrível que pareça, no terrível ano de 1975 ainda se disputaram algumas corridas em Angola. Como escrevia Norberto Gouveia na Revista Automundo, para além da situação crítica vivida no território africano, o automobilismo é, ainda, o prato forte de algumas dezenas de carolas que de vez em quando (caso não hajam confrontos militares), se reúnem para viverem o desporto que praticam.


Moçâmedes

Mantendo a tradição dos últimos anos, a época começou com o circuito de Moçâmedes, passando depois para o Circuito de Malange e... por força dos acontecimentos, apenas regressaria para uma última corrida, de solidariedade, disputada no Autódromo de Luanda. A guerra civil impediria o normal prosseguimento da época desportiva e, com o êxodo dos portugueses, muitos carros de competição ficaram abandonados na antiga Província Ultramarina. Como triste curiosidade, a última notícia que Helder de Sousa teve do seu antigo Lotus Europa do Team Lis, é que alguém o vira equipado com uma metralhadora e participava nos combates de Luanda.

Matéria originalmente publicada em Memórias Desportivas

Chana - o protótipo de Fernando Coelho


Chana nas 3 horas de Luanda em 1972 - 9º lugar



O Chana

Há pessoas cuja visão ultrapassa todos os obstáculos. É o caso de Fernando Coelho, um entusiasta que sonhou em fazer o seu próprio carro de corridas. Depois de alinhar com um “Lotus Chana I”, Coelho avançou para uma versão mais sofisticada, o Chana II. A base era a mesma, um Lotus Super Seven mas, a carroçaria, era um misto de alumínio e de fibra de vidro. Para equilibrar um pouco a péssima distribuição de massas (recorde-se que o motor era à frente), o carro foi equipado com jantes de ferro de 13x9 na retaguarda e de liga leve de 12x6 no eixo dianteiro “para tornar o carro menos sobrevirador, uma vez que o motor é na frente e a traseira torna-se muito leve”, como dizia o construtor.

O carro receceu um motor Lotus Twin Cam 1.600, com 160 CV de potência e uma caixa “close ratio” de quatro marchas.

O sonho de F. Coelho era montar um motor BMW de dois litros.

À parte os resultados em competição, influenciados pela falta de ensaios suficientes, o Chana II tem, acima de tudo, o grande mérito de demonstrar que em Angola, nos anos setenta, já havia tecnologia para fazer moldes e trabalhar a fibra de vidro. Coelho fez o molde, a empresa Wandschneider realizou a carroçaria, tudo por 15 mil escudos (€2.674).

*Texto reproduzido de jornal da época (abaixo). Fotos: Tuku Tuku



 
 
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“Understanding how it works is half the battle; making it work better is the mechanic’s ability.”